As 10 ações que mais valorizaram em 2021

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A temporada de IPO de 2021, com 45 ofertas iniciais de ações que superou as expectativas mais otimistas, trouxe alegrias e frustrações. Mas, de forma geral, analistas e especialistas avaliam como boa a estreia das novatas na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. Entre os 10 papeis de maior destaque, a alta ficou entre 507% e 22% em período curto de tempo.

Das 45 empresas que abriram o capital este ano, 21 ações tiveram valorização desde o lançamento até 20 de agosto. A ação campeã é Assaí, empresa que se separou do Grupo Pão de Açúcar e passou a andar com as próprias pernas em 26 de fevereiro deste ano, quando abriu o capital e passou a negociar suas ações na bolsa. O papel acumulou valorização de 507,18% desde a oferta inicial até 20 de agosto.

Como o Ibovespa teve variação de 7,29% no período, a ação da atacadista embute um prêmio de 499,90% sobre o principal índice da B3. Em relação ao Índice Bovespa, 25 superam a variação do índice, porque 4 delas tiveram desempenho negativo, só que inferior ao do Ibovespa.

Em relação ao Índice Bovespa, 25 ações de empresa que fizeram o IPO superam a variação do índice, porque 4 delas tiveram desempenho negativo, só que inferior ao do Ibovespa. Outras 24 ações tiveram desvalorização após o IPO, mais da metade das companhias que abriram ser capital este ano. Os dados são de levantamento da Economatica Plataforma de Informações Financeiras.

Outra ação que se destacou no período pós-IPO foi a de Vamos, que atua com locação de caminhões, que se valorizou 147,69%, desde a estreia na B3, em 28 de janeiro de 2021, até 20 de agosto. O papel roda com um prêmio de 148,39% sobre o Ibovespa, que recuou 0,70%, nesse período.

Entre os que trafegaram pelo terreno positivo, o papel que menos se valorizou após o IPO foi Eletromídia, com alta de 2,47% desde a estreia na bolsa, em 12 de fevereiro de 2021, mas acumula prêmio de 3,62% sobre o Ibovespa, que recuou 1,15% no mesmo período.

No grupo das ações que mais se desvalorizaram, lidera a queda a Oceanpact, que recuou 63,23% após o IPO, em 11/2/21; a Agrogalaxy, com queda de 48,58%, após 23/7/21; a Mobly, recuo de 43,14%, após 4/2/21; a Westwing, baixa de 42,92%, após 10/2/21, e Mosaico, queda de 41,31%, desde o IPO em 4/2/21 até 20 de agosto.

As novatas na B3 são as empresas que analistas consideram em teste no mercado para que investidores se manifestem, na bolsa de valores, se o valor delas está compatível com o definido no IPO.

Para especialistas, a temporada de IPOs deste ano foi peculiar, pois, além do preço de oferta, o desempenho dos papeis foi afetado pelo cenário econômico do momento do lançamento. “A performance das ações dessas empresas está muito vinculada ao cenário macroeconômico da época dos IPOs”, analisa Miguel Vieira, líder de M&As na Peers Consulting.

“Os papeis das companhias que fizeram ofertas nos primeiros meses do ano pegaram carona na valorização do Ibovespa até junho”, período que o mercado de ações esteve mais animado, antes de virar o humor.  Vieira ressalta, no entanto, que estratégias e fundamentos distintos de cada empresa também influenciaram o desempenho das ações.

Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, afirma que o mau humor do mercado não tem ajudado, mas empresas com bons fundamentos microeconômicos, como a Vamos, vão bem e com boas perspectivas. “Outras sofrem com o cenário macro e setorial, fragilizadas pela pandemia, como a Getninjas, Mobly e Westwing (todas do setor de decoração), fragilizadas pela pandemia.”

Conheça as empresas novatas campeãs da B3, o setor em que atuam e as perspectivas para cada uma delas na análise dos especialistas Mateus Santos e Ilmer Oliveira, da equipe de Felipe Leão, da Renda Variável da Valor Investimentos.

As 10 empresas com IPO bem-sucedido

ASSAÍ ON (ASAI3) – Focada no setor de atacarejo, com lojas por 23 Estados, a rede é a segunda maior varejista do País, depois do Carrefour. Segue com planos de expansão, com abertura de lojas que têm performado melhor que a média do mercado, principalmente pelo ganho de eficiência. O potencial foi reforçado ainda por iniciativas de digitalização e também após a criação de um time de M&A.

VAMOS ON (VAMO3) – Opera sob modelo de negócio integrado oferecendo um serviço de aluguel de caminhões (negócio principal), venda de caminhões usados, além de operar concessionárias de caminhões novos e concessionárias de máquinas agrícolas. Com bom histórico de crescimento, a empresa é líder de mercado em um segmento de baixa penetração no País, com elevado potencial de crescimento, dada a tendência de terceirização de atividades não essenciais. Contratos de aluguel de longo prazo da empresa geram maior resiliência ao negócio em função da alta visibilidade de receita.

BR PARTNERS UNIT(BRBI11) – Considerado um dos melhores players para se beneficiar do Financial Deepening (sofisticação dos mercados) no País, porque suas principais linhas de receita estão atreladas ao aumento dos ativos financeiros. Espera-se uma expansão da empresa para áreas como gestão de patrimônio e gestão própria de ativos (asset management). Um senão é que as eleições do próximo ano podem prejudicar a atividade principal do banco, com empresas mais reticentes à realização de M&As.

INTELBRAS ON (INTB3) – Empresa atua em três principais negócios: Segurança (alarmes, câmeras de segurança, fechaduras eletrônicas), Comunicação (roteadores, wi-fi, racks para data centers) e Energia (baterias, nobreaks e painéis solares). Com ampla rede de distribuição e programa de canais bem desenvolvido, oferece boa diversificação de produtos e serviços, mas esbarra em riscos cambiais, uma vez que tem  exposição a insumos e fornecedores estrangeiros. Risco acentuado pelas incertezas com as eleições do ano que vem que podem pressionar o dólar.

GPS ON (GGPS3) – O grupo atua em soluções para facilities, segurança, manutenção e serviços industriais e logística indoor. Tem obtido receitas tanto de forma orgânica quanto inorgânica. Fez cinco aquisições que geraram receita líquida de R$ 367 milhões e outras quatro estão em processo de aprovação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), segundo relatório da empresa.

ALLIED ON (ALLD3) – Empresa do ramo de distribuição de eletroeletrônicos, a maior do setor no País. Dotada de forte capilaridade, tem clientes com ampla distribuição setorial e geográfica, desde pequenos varejistas até grandes redes, como Via e Magazine Luiza. Usa essa capacidade logística e expertise para ingressar no varejo direto ao consumidor, tanto via e-commerce quanto pela venda física. Cerca de 35% de suas vendas são feitas por meio de lojas adquiridas da Samsung. Com um plano de expansão orgânica e inorgânica bem articulado, a companhia planeja incorporações no mercado de produtos de celulares recondicionados.

BOA SAFRA ON (SOJA30) – Com baixo imobilizado, comparado com os concorrentes, algumas áreas de desembarque de grãos, silos e uma câmara onde ficam armazenadas as sementes, em processo de hibernação, a empresa chega a um índice de germinação maior que a média do mercado e maior produtividade. Por ter fazendeiros como parceiros comerciais, a empresa não corre o risco de plantar a própria soja. O risco de crédito também é menor, já que 90% de suas receitas vêm das revendas. O risco está associado ao mercado internacional de commodities, pelo fato de ter a soja como principal produto.  Um cenário desfavorável de preços levaria a uma grande pressão sobre os preços.

ARMAC ON (ARML3) – É a maior do setor de locação de veículos e máquinas pesadas do País. Conta com uma frota própria de cerca de 1.900 equipamentos, dos quais 500 foram comprados no segundo trimestre deste ano. Empresa tem apresentado indicadores característicos de expansão, com aumento do lucro líquido e do endividamento, e concomitantemente uma redução do custo médio da dívida, considerada positiva em um cenário de elevação dos juros.

BLAU ON (BLAU3) – Uma das principais empresas farmacêuticas da América Latina, a Blau Farmacêutica produz medicamentos de alta complexidade e hospitalares essenciais, voltados à saúde humana, para o atendimento especializado em diversas áreas, como oncologia, nefrologia, hematologia e infectologia. A empresa conta com três plantas “State of Art” de produção e 14 áreas produtivas, classificadas por área terapêutica, com o uso dos mais modernos equipamentos e controle de qualidade. Com foco em expansão, a empresa anunciou, no fim de junho, que investirá R$ 1 bilhão em nova fábrica em Pernambuco. A unidade terá 36 linhas de produção e deverá entrar em funcionamento no último trimestre de 2023.

SMART FIT ON  (SMFT3) – Maior rede de academias da América Latina, a Smart Fit sofreu com as restrições da pandemia, mas seus balanços mais recentes apontam sinais de recuperação. A empresa cortou custos, abriu novas unidades e recuperou a base de clientes. Pelo lado do crescimento inorgânico, adquiriu 27 unidades da JustFit, sem desembolso de caixa no curto prazo. Por ser empresa nova e ter aberto o capital em momento tão peculiar, o mercado está cauteloso ainda com a ação, que pode proporcionar bons resultados após a reabertura plena da economia, com a demanda reprimida dos que buscam melhor qualidade de vida.

Fonte: https://maisretorno.com/portal/conheca-as-10-acoes-que-mais-valorizaram-e-bateram-o-ibovespa-apos-ipo-em-2021 

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